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O Anãozinho de Jardim

Livros e Desvarios

O Anãozinho de Jardim

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Qui | 24.03.16

Aziel ✯ Por Ellie S. Harper

Helena R. Moisio

Autor desconhecido
 
 
A humanidade…

Provavelmente o bando mais curioso a caminhar sobre a terra.Peões, na eterna batalha do Bem contra o Mal. Ou pelo menos é o que dizem. Nósnunca o vimos dessa maneira. Bem… Mal, Preto, Branco, Fogo, Água, Óleo eVinagre. Por vezes os meus pensamentos deambulam por estas noções, prendendo-senestas imposições rígidas e lamentáveis. Alguns acusam-nos de imprudentementelhes termos concedido o dom do livre arbítrio arrastando-os para este conflitocelestial sem pensar nas consequências de tal ato, mas eu acredito que agimosda forma como devíamos, mesmo que nos olhem como vilões.

Vilões… o que diabos se passa com esta Humanidade e com osseus conceitos absolutos em que um elemento só pode ser definido por outro quese lhe opõe?

Há muitas cores num arco-íris, sabem?

Nem tudo pode ou deve ser definido por oposição; se não ébom então é porque deve ser mau.

É preciso ser-se muito míope para advogar tal perspetiva…

No inicio não havia uma guerra. Por vezes tínhamos algumaspequenas disputas é certo, mas eram meras querelas inconsequentes entre façõesque pensavam de maneira diferente. Nada de inquietante, depois apareceu aHumanidade. Apropriaram-se do nosso domínio, começaram a utilizar a sua próprialinguagem, espalharam-se por todo o lado com os seus costumes e criaram umenorme desequilíbrio na nossa ordem.

O nosso Pai chamou-lhes a Sua Criação. A Sua orgulhosaCriação… confesso que tal entusiasmo não foi assim tão bem acolhido pela nossaparte. Daí que aquilo que, anteriormente, começara como uma ligeira divergênciade opiniões, na verdade inofensiva na sua essência, rapidamente escalou para umconflito.

A Humanidade até podia ser a Sua Criação, mas eramos nós quetínhamos de tomar conta dela e nós achávamos que esta barganha estava muito longe deser justa.   

 A discórdia que seinstalara entre nós crescia à medida que o tempo passava e quando a fenda quese abrira se tornou intolerável, fomos forçados a escolher um dos lados. Eu tivede escolher. Todos tivemos de escolher.

O meu lado decidiu revoltar-se e defender aquilo em queacreditava. O outro lado, resolveu fazer exatamente o mesmo e o confronto tornou-seinevitável. Não vos sei dizer se está certo, ou se está errado, mas possodizer-vos que nesse dia aprendemos uma das lições mais valiosas e mais importantesda nossa existência; defender aquilo em que acreditamos tem sempre um preço apagar, ou se paga com a vida, ou se paga com a alma. Para nós foi a perdição. Eo teu? Qual será?

O meu nome é Aziel, sou um dos caídos e tal como muitos dosmeus irmãos e irmãs também eu estou condenado a vaguear pela terra até ao finaldos tempos e a ser caçado como um animal. Os humanos chamam-nos demónios, ossombrios, os caídos em desgraça e por isso perseguem-nos sem dó nem piedade. Sem sequer se aperceberemque estão a fazer o trabalho sujo de outrem.
 
(nota: tradução HRM) 
Licença Creative Commons
 
O trabalho "Aziel" de Ellie S. Harper está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.